Pátio Urbano

Ponto incentivador de aprendizagem, convivência e trocas culturais, o equipamento público chamado “Pátio Urbano” surge como crítica ao ensino tradicional, mesclando arte, cultura, ensino e família em um só lugar.

Descrição

A adolescência é uma fase da vida criada na pós modernidade, compreende um período de transição entre a infância e a vida adulta, e é frequentemente mal interpretada pela sociedade. Nesse período, a liberdade e as responsabilidades surgem rapidamente, o que leva muitas vezes o jovem a envolver-se com problemas como a constituição precoce de famílias, o consumo e o tráfico drogas, tanto por falta de orientação quanto por um desinteresse social. É também nesse período que ocorre o maior número de casos de repetência e evasão escolar, visto que o jovem perde o interesse pelos conteúdos ministrados e prefere iniciar sua inserção no mercado de trabalho. Este desinteresse muitas vezes é gerado devido ao ensino enciclopedista e academista dos currículos de Ensino Médio tradicionais, que não aproximam o conteúdo da realidade dos jovens. Além disso, o formato pedagógico atual transfere de forma unilateral e massiva o conhecimento, sem incentivar a expressão e a criatividade do aluno. Assim, a necessidade do jovem em alinhar seu crescimento intelectual e pessoal, de opinar, de se expressar e de experimentar acaba por ser  reprimida pelo ensino tradicional, sendo assim, vê-se a urgente necessidade da criação de atividades pedagógicas alternativas. Neste caso elas aparecem não como substituição dos meios tradicionais, mas sim como uma forma de complemento. Ainda, visto que na maioria das escolas públicas o ensino não é integral, observa-se a importância de espaços acolhedores e humanitários onde o adolescente possa permanecer no período de contra turno, com atividades adequadas e orientadas para complementar a educação escolar. Destaca-se ainda que o papel de educador não é exclusivo da escola e a participação da família e da comunidade são essenciais no crescimento do adolescente, sendo assim precisa ser estimulada.

Com o crescimento desordenado das cidades, principalmente nas áreas periféricas onde as casas ficam muito próximas e onde não há uma definição precisa de lotes, a ausência de quintal tornou-se cada vez mais frequente e as lajes começaram a se configurar como áreas de lazer. As ruas perigosas e cada vez mais movimentadas também contribuem com a falta de espaço para brincar e o pátio residencial tornou-se uma realidade distante da arquitetura das favelas. A própria rua, lugar de socialização, vem perdendo seu papel a medida em que vivemos em uma sociedade cada vez mais individualista, fechada em sua rotina, em seus afazeres…

Já o pátio escolar, apesar de possuir um papel importante no âmbito pedagógico, social, ambiental, motor e recreativo, vem sofrendo certa desvalorização devido a super racionalização do ensino. Espaço, que se configura na escola como o local do encontro, da liberdade e das trocas,  e que contribui para o conforto, para as atividades ao ar livre e para as mudanças periódicas de ambiente e de rotina é fundamental no processo de aprendizagem dos alunos.

O pátio escolar não deveria ser tratado como oposição da sala de aula, e sim como extensão, pois promove às crianças o conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação de experiências sensoriais, expressivas, corporais que possibilitem movimentação ampla, expressão da individualidade e respeito pelo ritmo e desejo das crianças. Atividades realizadas no pátio podem incentivar a curiosidade, a exploração, o encantamento, o questionamento, a indagação e o conhecimento das crianças em relação ao mundo físico e social, ao tempo e à natureza.

No entanto, em grande parte das escolas públicas convencionais o pátio é tratado como o «espaço que sobrou», por vezes até inexistente. Algumas experiências que reconhecem a relevância do pátio escolar e  que aliam educação e comunidade mostram que a cidade pode fazer parte do processo educativo dos alunos, criando assim uma comunidade de aprendizagem.

A partir dessa reflexão surge então a intenção de criar um lugar que represente o mesmo que o pátio representa para a casa ou para a escola, mas que seja então um pátio para a cidade, um PÁTIO URBANO.

 

O equipamento encontra-se na área central da cidade de Florianópolis, mais especificamente no bairro José Mendes. Localizado entre a encosta sul do maciço do Morro do Cruz e a baía Sul, faz limite a leste e a norte com o Saco dos Limões, e a oeste com a Prainha e o Centro. Entre o mar e o morro, o bairro predominantemente residencial carece de infraestrutura, sendo esta parcialmente compensada pela proximidade com o centro da cidade. Os moradores sentem falta de comércios básicos, como padarias, farmácias, mercadinhos e também de áreas de lazer, que atualmente são inexistentes no bairro. A praia não permite o banho de mar e tem grandes trechos fechados por lotes privados, mas a paisagem ainda é apreciada por todos. A população de classe média do pé do morro mistura-se à de classe baixa à medida que avança o aclive. As comunidades atendidas diretamente pelo equipamento estão destacadas na figura abaixo (Morro do Mocotó, Morro da Queimada e Caieira do Saco dos Limões), assim como a localização do terreno.

 

Ano: 2018

Tipo do projeto: Projeto acadêmico

Localização: José Mendes – Florianópolis | SC

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